Morreu Joël Robuchon, o cozinheiro do século

Morreu Joël Robuchon, o cozinheiro do século

Inspiração para muitos chefs de cozinha em todo o mundo, como o britânico Gordon Ramsay, Jöel Robuchon foi nomeado o “cozinheiro do século” nos anos 1990 pelo guia Gault&Millau e era atualmente o chefe com mais estrelas Michelin. 32.

Nascido numa família modesta de Poitiers, em França, teve que começar a trabalhar cedo, com 15 anos. Quando os pais se divorciaram foi preciso arranjar um ganha-pão e começou a aprender no restaurante Le Relais de Poitiers. Chegou, segundo a revista Madame Figaro, a trabalhar 14 horas por dia. Sem folgas durante períodos que podiam durar seis meses, disse, admitindo que foi um pouco explorado.

Conhecido pelo seu perfeccionismo e exigência, às vezes descritos como tirania na cozinha, dizia só ter um objetivo: ser o melhor. E assim foi. Ergueu um império gastronómico que ultrapassou completamente as fronteiras do seu país natal. Muito inspirado na cozinha asiática, tinha restaurantes na Europa, na Ásia e na América do Norte, participou em programas televisivos de gastronomia, escreveu livros de cozinha, teve parcerias importantes com grandes marcas de distribuição.

Paris, Macau, Hong Kong, Banguecoque, Tóquio, Las Vegas, Montreal ou Nova Iorque são algumas das cidades que contam com restaurantes seus. Robuchon é considerado o mais influente chef da era do pós-nouvelle cuisine, forma de cozinhar e apresentar francesa usada a partir dos anos 1970, caracterizada pela leveza e delicadeza dos pratos, bem como da sua apresentação. O seu puré de batata, a sua tarte de trufas ou os seus raviolis de lagostins são algumas das especialidades destacadas esta segunda-feira em artigos da imprensa internacional.

Depois de umas análises ao sangue com resultados “horríveis” com “uma elevada taxa de colesterol, tensão arterial e glicémia”, como contou ao jornal norte-americano New York Post, em outubro de 2017, o chef decidiu lançar-se numa dieta. Aconselhado por Nadia Volf, especialista em nutrição e auriculoterapia, a viver em Paris, que lhe disse para mudar radicalmente de hábitos. Nada de gordura, manteiga, azeite, nada de açúcar no café. Tudo isso tinha que acabar. Assim fez. Perdeu 27 quilos em quatro meses. Robuchon, que sofria de cancro no pâncreas, por causa do qual fora operado há um ano, acabou por morrer esta segunda-feira, em Genebra, na Suíça.

 

Por www.dn.pt